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domingo, 26 de maio de 2019

Meu pior pesadelo: GRAVIDEZ ANEMBRIONÁRIA

26 maio 1 Comentários
Rejane Santos e o pesadelo da gravidez anembrionária

Enfim, meu tão sonhado positivo, a notícia veio para mudar literalmente minha vida.

Recentemente estava passando pelo luto da perca do meu avô paterno. E, então, no dia 30 de abril descobri minha gravidez. A primeira pessoa que contei foi ao meu companheiro e, em seguida, minha mãe. Aquele momento foi de muito de choro, choro de alegria, pois essa gravidez foi planejada. Já aguardava a qualquer momento receber um positivo, a alegria era tão grande que divulgamos a todos os nossos amigos e colegas. Depois marquei a consulta do pré-natal. Tudo muito diferente do costume, não sabia nem como agir a tanta felicidade.

No dia 1º de maio tive um sério problema, em pleno feriado do trabalhador, estava sozinha em casa, sem parentes e muito menos aderentes na cidade onde moro, mas com amigos que estiveram ao meu lado. Passei 3 dias de atestado médico, isso me fez desconfiar que talvez tivesse com algum problema. No dia seguinte, fiz uma ultra para saber com quantas semanas o meu bebê estava e me deparei com uma médica arrogante que disse, na minha cara nua e crua, "sua gravida não evoluiu, querida, mas refaça essa ultra, pode ser que mude". Chorei muito, mas confiante que o meu caso iria mudar. Liguei para minha mãe, contei o que tava acontecendo e ela me pediu para ter fé que tudo iria ocorrer bem. Difícil foi esperar mais estes 10 dias. Como sou ansiosa demais, dia 6 de maio, fiz minha 2ª ultra, onde o médico disse a mesma coisa, só que dessa vez mais tranquilo. Entrei em desespero, chorava muito sem entender o que estava acontecendo. E, o pior de tudo, sem ter muito apoio, pois a família mora longe e não tinha muito o que fazer a não ser esperar mais um pouco.

Minha esperança cada vez aumentando, comecei a acreditar que Deus poderia fazer sim um milagre em minha vida. Meus sintomas de gravidez começou a diminuir, já não aguentava mais tanta ansiedade em saber o que estava acontecendo com meu bebê. Não entendi o motivo de não escutar o coração dele, me segurava na resposta que ainda seria cedo demais. Dia 11 de maio, fiz uma nova ultra, no caso transvaginal, meu marido não foi comigo, fui sozinha, não aguentava esperar, estava tendo sangramento, minha terceira ultra me fez ter mais fé e acreditar que iria acontecer um milagre na minha vida. Porém, o médico não encontrou meu embrião, já estava com 9 semanas e tinha apenas o saco gestacional e a vesícula vitelínica, ele ainda disse que meu líquido não estava legal, mas eu deveria aguardar mais 10 dias para confirmar se minha gravidez seria uma anembrionária (quando o embrião não evolui). Chorava desesperadamente, mas acreditando confiante que Deus iria fazer um milagre, para garantir, já comprei o berço e publiquei nas redes sociais minha gravidez. Contei a Deus e o mundo, a galera do trabalho em peso.

Meus sintomas de gravidez estava aumentando, meus seios e minha barriga, nem se fala. Acreditei muito que iria ver o meu bebê e escutar o coração dele na minha próxima ultra, deixei a ansiedade de lado e resolvi aguardar, li muitos casos de meninas que passaram o mesmo que o meu e teve um resultado positivo. Até a farda do colégio pedi numero grande, para quando a barriga crescesse, nada iria impedir de escutar o coração do meu bebê, combinei com o meu marido dele entrar comigo no dia da ultra e filmar na hora que o médico me colocasse pra escutar o coração do bebê, passei minha semana tranquila, brigando nas filas da lotérica, supermercado, o que fosse, queria que todos soubessem que eu seria a futura mamãe do ano, eu era prioridade...

Os dias passaram... Um dia antes da consulta no domingo, comecei a pensar "e se não conseguir ver o bebê" e o meu outro lado dizia "não posso pensar negativo, positividade!". Só que não consegui me segurar, chorei muito, pois algo me dizia que não iria conseguir ver o embrião e muito menos o coração. Foi ai que orei a Deus da forma que minha mãe me ensinou e falei assim "Senhor, quero muito esse filho que está aqui dentro do meu ventre, mas se essa não for sua vontade, irei aceitar e não vou descorda com nada" ... Dia 20 de Maio, estava eu e meu marido na clínica, aguardando ansiosamente por uma noticia. Gilberto estava muito confiante, mas eu já estava abalada. Depois de uma eternidade esperando, fui chamada para enfim saber. Deitada naquela maca, olhando fixamente pra tela e Gilberto do meu lado, de repente aparece o saco gestacional bem grande, mas sem nada dentro. Então, perguntei "Cadê o embrião?". O médico respondeu confirmando minha gravidez anembrionária, porém pediu que eu mostrasse o resultado da ultra para a obstetra. Eu caí no choro, parecia que o mundo iria acabar na minha frente. As recepcionista da clínica tentando me ajudar, tentando marcar uma ultra com outro médico, mas elas não sabiam que já havia feito 4, no total. Comecei a ingerir a ideia, fui para a obstetra e fiz ela acreditar que minha ovulação seria tardia. Por isso, não víamos o embrião. Comecei a mentir em cima dos cálculos, só para me darem mais um oportunidades, pois falar sobre curetagem comigo, seria um real tabu. 
Rejane Santos ultrassom da gravidez anembrionária

Depois de muito chororó, comecei a refletir sobre os planos de Deus para mim. Ao falar com minha mãe, a ideia não soou tao ruim, poderia ser algo para me ensinar ou amadurecer. Marquei a consulta com a obstetra do hospital para falar sobre curetagem e, enquanto aguardava, iria viver como se nada tivesse acontecendo. Ao chegar no trabalho, um rapaz falou assim comigo "E aí, buchudinha, como tá esse bebê?"...  Ali, lembrei que tinha avisado para Deus e o mundo sobre minha gravidez, e respondi da forma mais grosseira gritando "MINHA GRAVIDEZ NÃO EVOLUIU. AGORA PARE DE FALAR SOBRE ISSO!". Os sintomas de gravidez ainda estavam correndo pelo meu sangue, não tive como me conter. Depois que pedi desculpas a ele, publiquei nas redes sociais que tinha sido diagnosticada com gravidez anembrionária. Passei a evitar o assunto e só esperar minha próxima  consulta, que sera dia 28 de maio.

Hoje, quero o mais rápido possível resolver isso. Ser for pra fazer curetagem ou um aborto espontâneo, irei fazer não importa mais a dor. E levo comigo o seguinte: Tenho que viver seja qual for a situação.